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» » » » Acauã cantou perto de mim

Geralmente ela canta longe, lá pelo pé da serra. Seu canto lúgubre e insistente mexe com a alma da gente. Eu diria que, cantando, mais parece uma pessoa se lastimando.. Desde criança a escuto, nunca porém a vi de perto. Seu grito traduz uma mistura de melancolia e dor, e quando ecoa no sovaco das matas, enche-nos de preocupação. Para uns, é prenúncio de bom inverno, já para outros, preságio de seca inclemente.
Hoje ela veio cantar na ingazeira mais perto da minha casa, fazendo eco em todo o Vale do Caiana. Apesar do pavor que em alguns desperta, confesso que adorei o espetáculo. Penso até que se trata de um casal cantando em dupla e com a intenção de saudar o crepúsculo. Continuaram cantando até mesmo dentro da noite.
Esconde-se na mata e dificilmente é vista, fato que lhe justifica a fama de ave misteriosa e agourenta. Os caçadores a descrevem como imponente e graciosa. Ouvindo o seu canto, me sobra a impressão de que é realmente selvagem e bela. Nos últimos dias a tenho ouvido com mais frequência e cada vez mais próximo.
É a Acauã, aquela da canção de Humberto Teixeira/Zé Dantas, cuja presença nas quebradas das serras, tanto enriquecem a nossa fauna e tanto embelezam a nossa já belíssima natureza.
Ela faz coro com a peitica, o bacurau, a coruja e o três potes, cujos cantares são singulares e carregam em si uma força estranha, capaz de adivinhar fartura ou miséria, dependendo
do astral sertanejo.> Tibúrcio Bezerra de Morais - Várzea Alegre ce.
Não sei se, de fato, a acauã tem os pendores que lhe atribui a crença popular, mas a verdade é que gosto muito de ouvi-la. É uma das vozes bonitas do sertão e um pedaço sentimental de nós mesmos.

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