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» » » » Mapa do Emprego: número de vagas no interior do Ceará mais que triplica em 20 anos


De 1997 a 2017, houve uma desconcentração das vagas de emprego no Estado. Comércio e administração pública foram os setores que mais cresceram no período, mas Serviços ainda é o que mais emprega
O Mapa do Emprego no Ceará 2018, estudo realizado pelo Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), com base nos números dos anos de 1997 a 2017, revela que os postos de emprego no Interior mais que triplicaram (308,3%) nesses 20 anos. Já Fortaleza e a Região Metropolitana (RMF) apresentaram um aumento de 209,5% no período.
Erle Mesquita, coordenador de Estudos e Análise de Mercado do IDT, afirma que esse crescimento de vagas de emprego no Interior é fruto da política de atração de novas empresas, realizada pelo Estado. “Há décadas o Governo do Ceará tem tido o papel de fazer essa desconcentração do emprego para o Interior, por meio de políticas públicas de incentivo. Também temos o contexto em que houve mudanças nacionais, com a criação do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e do Magistério) e do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Todos esse fatores contribuíram para a geração de emprego. Com essas políticas de incentivo, muitos dos municípios que hoje têm maior pujança e historicamente já desempenhavam papel importante na região acabaram tendo maior dinamismo, que é o que a gente chama de movimento de dispersão concentrada”, destacou.
Mesmo apresentando um crescimento menor que o Interior nessas duas décadas, Fortaleza e RMF concentraram, em 2017, dois terços dos 1.464.948 postos empregos do Estado. Desse estoque de emprego, 51,4% era ocupado por trabalhadores com ensino médio e 20,8% por profissionais com ensino superior completo. Os homens eram maioria dos empregados, com 55,1% do mercado.
O estudo traz ainda o quantitativo de empregos gerados no Ceará por categoria, de acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho. Setores como comércio e administração pública cresceram 4,5% e 3,3% em 20 anos, respectivamente. Com pequena queda, os setores de serviços, com 33,1% dos empregos, e indústria de transformação, com 15,4%, ainda possuem papel importante.
Além de Sobral, na região Norte, e Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha, no Cariri, historicamente polos empregadores no Interior, Erle Mesquita ressalta o aparecimento de novos centros. “Municípios no Litoral Leste e no Vale do Jaguaribe, em alguns setores específicos, como no caso da indústria no setor calçadistas, é muito forte nos municípios de Russas e Morada Nova. O extrativismos vegetal e a pesca também são segmentos que têm tido bom desempenho nessas regiões. O posicionamento desses municípios também é estratégico, eles estão a poucos mais de duas horas do Porto do Pecém, onde boa parte dessa produção é escoada para o mercado internacional e isso faz com que eles tenham um pouco desse protagonismo”, acrescentou o coordenador.

De olho no mercado

O intuito do estudo é fornecer informações detalhadas do potencial de cada região para promover a atração de mais oportunidades de emprego e negócios. Para os trabalhadores, Erle Mesquita explica que o Mapa traz os setores que vêm se destacando nessas duas décadas e que devem continuar recebendo boa parte do mercado. “Temos uma característica muito grande no mercado nacional e local em que há um predomínio das atividades ligadas ao setor terciário do comércio e do serviço, que são setores como os demais que vêm passando por um processo de automação, mas que a gente tem identificado que há muitas oportunidades”, avaliou. A instalação dos hubs aéreo, portuário e tecnológico também deve incrementar as ofertas de emprego na Capital e na RMF, nos próximos anos, de acordo com ele.
A administração pública também deve continuar empregando bem nos próximos anos. “No Ceará o serviço público tem dinamizado muitas das oportunidades de trabalho para nossa população. É um resultado interessante essa capacidade de ter a intervenção do setor público de facilitar a entrada dos trabalhadores no mercado de trabalho”, concluiu o coordenador do IDT.

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