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» » » Coronavírus: como está a vida a bordo de cruzeiro no qual 61 passageiros já pegaram a doença

"Quando recebemos autorização para ir ao convés, temos que usar máscaras, manter uma distância de 1m entre nós e não nos deixam ter conversas em grupo."
Este é o relato de David Abel, britânico a bordo do Diamond Princess, cruzeiro com quase 3,7 mil pessoas na costa do Japão sob quarentena há duas semanas por causa do surto de coronavírus.
Na sexta-feira (7/02), mais 41 passageiros tiveram o diagnóstico do novo coronavírus confirmado. Até então, 61 pessoas de dez nacionalidades que estavam no Diamond Princess foram transferidas para hospitais.
Os novos casos no navio levaram a um total de 86 pessoas doentes no Japão, o país com mais casos da doença depois da China, epicentro do surto que matou 636 pessoas e infectou 31.161 em 26 países — mais de 99% em território chinês.
Segundo relatos de Abel no Facebook, todo mundo a bordo do cruzeiro é submetido constantemente à medição da temperatura corpórea. Qualquer aumento inesperado é comunicado à equipe médica.
"Passamos a tirar peças que estavam no saco de roupa suja para usá-las de novo", relata Abel. "Estamos lavando a roupa de baixo à mão, com sabonete."
"Aqueles dias de luxo com uma equipe que trocava sua roupa de cama e deixava um chocolate no seu travesseiro se foram."
E raramente saem dali. "Há passageiros em cabines sem janelas, luz do Sol ou ar fresco, mas o capitão anunciou que eles serão autorizados a frequentar o convés aberto para se exercitar e respirar ar fresco."

Falta de remédios a bordo

As medidas começaram depois que um homem de 80 anos, que esteve no navio em janeiro, apresentou sintomas da doença em Hong Kong.
Ele embarcou no Diamond Princess em 20 de janeiro e desembarcou cinco dias depois em Hong Kong.
Como a quarentena deve durar pelo menos até 19 de fevereiro, é crescente a preocupação com uma eventual falta de medicamentos a bordo.
Um passageiro exibiu uma bandeira do Japão com uma mensagem: "Faltam remédios". Não está claro, porém, quais são.
Não existem medicamentos ou vacinas específicos para o novo vírus, e os antibióticos também não funcionam, porque eles combatem bactérias. A grande maioria das pessoas tem melhorado por conta própria.
Grande parte delas apresenta sintomas leves, como tosse e febre. No entanto, o vírus está deixando algumas pessoas gravemente doentes por pneumonia e problemas respiratórios. Os grupos de risco ainda não estão claros também.
Uma outra embarcação, World Dream, também foi submetida a uma quarentena em Hong Kong depois que oito pessoas, que estiveram no navio entre 19 e 24 de janeiro, contraíram o coronavírus.
Há ainda 3,6 mil pessoas a bordo, mas ninguém foi diagnosticado com a doença depois da saída das pessoas doentes. Todos os tripulantes que trabalhavam na área das cabines foram isolados e estão sendo monitorados.
BBC News Brasil

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