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» » » Com ajuda externa, dólar fecha em baixa após saltar mais de 9% em apenas 5 pregões

O dólar fechou em queda nesta sexta-feira, após cinco altas consecutivas, mas ainda acumulou valorização em uma semana marcada pela aproximação do patamar de 6 reais, depois de renovadas tensões políticas e de corte mais intenso nos juros.
Sinais mais amigáveis entre China e EUA sobre um acordo comercial deram argumentos para alguma realização de lucros nesta sessão, na qual o dólar também caía no exterior.
Os principais representantes comerciais dos Estados Unidos e da China discutiram a Fase 1 de seu acordo comercial nesta sexta-feira, e o país asiático disse que concorda em melhorar a atmosfera para sua implementação, enquanto os EUA disseram que os dois lados esperam que as obrigações sejam cumpridas.
A notícia amenizou temores de que o governo Trump pudesse adotar novas medidas contra a China, segundo Washington, por causa da maneira como o país asiático lidou com o início do surto do coronavírus --que se espalhou pelo mundo, tem destruído empregos e deve provocar a maior recessão em décadas na economia global.
Mas, pelo menos no Brasil, qualquer alívio no câmbio é visto com desconfiança por alguns no mercado, diante da percepção de que as variáveis ainda apontam um real sob pressão.
"Embora o real esteja com excesso de depreciação sob todas as nossas métricas de avaliação, a dinâmica está nos forçando a dispensar agora qualquer previsão no curto prazo", disse o BNP Paribas em nota a clientes.
Lembrando a decisão do Copom nesta semana de cortar a Selic em intensidade ainda mais forte que a esperada --o que pressionou mais o câmbio--, os estrategistas do banco francês Gabriel Gersztein e Samuel Castro dizem que uma moeda tão fraca numa economia tão fechada como a brasileira beneficiaria apenas as contas do governo e exportadores de materiais básicos.
Eles concluem que, no fim, tamanha debilidade do real pode não ser boa para a economia. Uma economia já abalada é citada como elemento a prejudicar o câmbio, já que oferece poucos atrativos para ingresso de capital externo que poderia aumentar a oferta de dólar.
"A menos que a autoridade monetária não continue intervindo, o risco final continua sendo uma fuga desordenada de capital de locais, em nossa opinião", disseram Gersztein e Castro.
No fechamento das operações locais no mercado à vista, o dólar caiu 1,71%, a 5,7401 reais na venda.
Na véspera, a cotação se aproximou de 5,90 reais e encerrou em novo recorde histórico nominal.
Nesta semana, a divisa subiu 5,56%.
O dólar se apreciou bem mais de 1% em cada um dos últimos cinco pregões, período no qual acumulou um salto de 9,05%.
Na B3, o dólar futuro cedia 1,66%, a 5,7490 reais, às 17h03 desta sexta-feira.
O real cai 30,09% em 2020, pior desempenho global. A moeda brasileira tem a performance mais fraca também desde meados de março, quando ativos financeiros no mundo começaram a se recuperar da liquidação iniciada semanas antes por causa da escalada da crise do Covid-19.
Veja abaixo gráfico da variação percentual da moeda brasileira e de alguns pares emergentes desde 23 de março. A linha do real é a laranja em destaque:
Por José de Castro
Reuters

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