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» » » » Indicado por Ramagem, novo diretor da PF assume o cargo sob desconfiança

Cinco dias depois que decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) barrou a nomeação de Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para a direção-geral da Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro nomeou para o cargo Rolando Alexandre de Souza. 
Foto: Isac Nóbrega/PR
Indicado por Ramagem para o comando da PF, Souza é delegado da Polícia Federal e era seu braço direito como secretário de Planejamento e Gestão na Abin. 


Especialistas alertam que, com a nomeação, passa a existir um alinhamento completo de uma agência de inteligência (Abin), que é ligada ao Executivo, com uma entidade de Estado, que é a Polícia Federal. 

A avaliação de parlamentares da oposição é de que o intuito de Bolsonaro, de interferir na Polícia Federal, continua o mesmo. 
“O presidente segue com seus ataques para tentar transformar a corporação numa polícia a serviço de sua família”, disse o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ).
Já aliados do presidente destacaram o perfil técnico do novo diretor-geral da PF. Rolando de Souza já foi superintendente da Polícia Federal em Alagoas, chefiou o Serviço de Repressão a Desvio de Recursos Públicos e ainda esteve na Divisão de Combate a Crimes Financeiros.
A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) reforçou a orientação para que o diretor-geral da PF “mantenha o presidente informado”. “E não se esqueça de deixar nosso presidente muito bem informado com os relatórios de inteligência”, escreveu em seu Twitter.
O ex-deputado federal e presidente do PTB, Roberto Jefferson, lembrou ainda que o primeiro inquérito de Rolando Souza será investigar Sérgio Moro. O ex-ministro da Justiça é testemunha em inquérito para investigar as acusações feitas por ele contra Jair Bolsonaro. No último sábado (2), Moro depôs na Polícia Federal e indicou a existência de pelo menos sete provas para corroborar a denúncia de que o presidente tentou interferir indevidamente na PF.

POLÊMICA

Desde o último dia 24, a Polícia Federal está no centro de uma grande polêmica, que começou com a exoneração do então diretor-geral Maurício Valeixo e causou o pedido de demissão do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro. Moro acusou o presidente de interferência política na PF. Em discurso, o próprio Bolsonaro admitiu que queria no cargo alguém do seu contato pessoal, para quem ele pudesse ligar e colher informações de relatórios de inteligência.
Por isso, Bolsonaro nomeou na semana passada Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal. Ramagem é amigo da família Bolsonaro.
O presidente voltou atrás, após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, na última quarta-feira (29), que acatou pedido do PDT, com a justificativa de “abuso de poder por desvio de finalidade”.
Bolsonaro, no entanto, disse que “não engoliu” a decisão, chamando o ato de “político”.
Ana Paula Ramos
Yahoo Notícias

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