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» » » » Quem são os “antifas” que estão tocando o terror nos EUA?


É triste ver a revolta e os protestos legítimos pela morte de George Floyd se tornarem um instrumento de radicalização, como vários manifestantes começam a perceber.
Uma das cenas mais impressionantes é o de duas menininhas vestindo as roupas pretas, com mochila nas costas, confrontadas por uma mulher negra quando faziam pichações num Starbucks.
Scott Olson/Getty Images
“Não façam pichações aqui”, diz a mulher, uma professora usando máscara cirúrgica. “Vão por a culpa em nós. Vão por a culpa nos negros”.
Com condescendência explícita, uma das meninas explica que estão “fazendo isso por vocês”.
“Então não façam isso por nós” é a resposta, entre revoltada e impotente, da mulher.
Em Washington, um grupo de manifestantes pegou um dos moderninhos mascarados que tentava arrancar pedaços da pavimentação da rua para jogar e o entregou à polícia. “Levem esse ****”, propuseram.
Como aconteceu na época dos protestos de 2016 em São Paulo, muita gente leva um susto diante da violência e da capacidade de comando das “manifestações que começam pacíficas e depois degeneram” – segundo o chavão, como se a “degeneração” não estivesse muito bem planejadas.
Eram do Block Bloc, hoje são os Antifa. 
Basicamente, são a mesma coisa: grupos de jovens, em geral de classe média, que se identificam com a ideologia “contra tudo e contra todos” e sentem um prazer anárquico em quebrar coisas e confrontar a polícia.
No Brasil, hoje, têm uma presença crescente em torcidas de futebol.
Os antifas, forma sintética de antifascistas, surgiram originalmente na Alemanha da época da República de Weimar.
Foram criados pelo Partido Comunista alemão como uma espécie de tropa de choque. Só o nome já dava arrepios: Antifaschistische Aktion.
Todo mundo sabe o que aconteceu depois.
A denominação ressurgiu na Alemanha e se espalhou por outros países europeus na década de oitenta, na época em que estava na moda ocupar prédios e ser de extrema esquerda.
Os grupos verticalizados como a Facção do Exército Vermelho (Grupo Baader-Meinhoff), na Alemanha, e as Brigadas Vermelhas, na Itália, tinham sido dissolvidos pela história e pela ação policial de inteligência.
Sem armas de fogo, com um modus operandi horizontalizado e com a tática de surgir quando há conflagrações e sumir em tempos mais calmos, Black Blocs ou Antifas ganham espaço pela dificuldade de identificação e a facilidade de adesão.
Pequenos grupos de militantes conseguem conduzir a massa para o rumo da violência puramente pelo efeito contágio. Um começa a jogar pedras, outro investe contra a polícia e a dinâmica das manifestações vira outra coisa.
Evidentemente, os protestos contra a morte de George Floyd têm diferentes camadas de adesão, desde jovens simplesmente revoltados com a violência de conotação racial até os aproveitadores ocasionais, que chegam ir de carro para acomodar o produto dos saques.
Os antifas – pronunciado antifás, não antífas, como dizem os americanos – ofuscaram grupos mais conhecidos, como o Black Lives Matter, onde brancos têm que ficar na última fileira.
Agora, mais uma vez, rapazes e garotas de pele clara estão na primeira fila. 
Além de sequestrarem os protestos, sequestraram também a denominação antifascista, como se fossem donos dela.
Por Vilma Gryzinski

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