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» » » » Por que alto número de mortes pela Covid-19 não intimida parte dos brasileiros?

Mesmo tendo chegado a 66.741 vítimas da pandemia do novo coronavírus, o Brasil segue vivendo uma reabertura da economia repleta de desrespeito aos protocolos sanitários. O país já registrou filas para entrar em shoppings, intenso movimento em comércios de rua e, mais recentemente, multidões em bares e restaurantes que voltaram à atividade em algumas capitais.
Foto: O Liberal
Mas por que a quantidade exorbitante de mortos [de acordo com o boletim mais recente do Conass, o Brasil registrou 1.254 mortos nas últimas 24h] não intimida parte da população? Para Jorge Miklos, historiador e Doutor em Comunicação, a normalização das mortes no país advém da forma como encaramos a nossa própria vida na sociedade moderna.


Segundo ele, o que acontece no Brasil atual está ligado ao processo de “reificação” da vida. O conceito, abordado pelo sociólogo Max Weber (1864-1920) consiste na transformação da vida em objeto, coisa, mercadoria.
“Essa maneira de enxergar a morte está muito ligada a maneira como vivemos. O diagnóstico de Weber, para mim, parece irrefutável e implica numa visão bastante fria e descolada de qualquer aspecto emotivo do viver e do próprio morrer. Se antes a morte tinha a ver com uma passagem para o mundo sobrenatural, hoje a morte está de alguma forma mercantilizada e banalizada", avalia o professor.
Partindo também das ideias da teórica política Hannah Arendt (1906-1975), que cunhou a expressão “banalidade do mal", haveria uma percepção diferente das mortes das parcelas mais marginalizadas da população em comparação aos óbitos dos mais abastados. No Brasil, diversos estudos mostram que a parcela mais pobre do país sofre mais com a pandemia.
“A morte dos pobres, periféricos, pretos e até dos idosos vale pouco, assim como a vida deles também vale pouco para a sociedade", diz Miklos. Segundo ele, a falta de impacto que a morte causa na nossa sociedade atesta também uma falta de civilidade.
“Tudo isso compromete a classificação de nossa sociedade como civilizada. O grau de civilização se mede a partir de como tratamos nossos semelhantes e principalmente aqueles que são a ponta mais frágil do tecido social: crianças, idosos, doentes e vulneráveis. Nossa sociedade não é civilizada porque ela é uma máquina de esmagar essas pessoas", analisa o historiador.
Para Miklos, a pandemia do novo coronavírus como um todo tem demonstrado claramente as mazelas de nossa cidade e está apenas demonstrando “o que realmente somos", deixando claro que ideais como “igualdade, liberdade e fraternidade” fracassaram.
“Esse comportamento social, isso que vimos no Rio de Janeiro na semana passada, aglomeração, pessoas sem máscaras, sem cuidado algum, é um total descaso pela vida. A vida não é considerada na sociedade moderna um bem precioso. Nossa sociedade cultua o corpo, o dinheiro, poder, sucesso, mas não cultua a vida. Esse é um erro civilizatório terrível, que coloca nossa civilização em risco”, alerta.

Gestão Bolsonaro na pandemia
Jair Bolsonaro (sem partido) tem sido amplamente criticado em todo o mundo pela sua gestão errática da pandemia. Mesmo o Brasil sendo o segundo país com mais casos e mortes de Covid-19 no planeta, o presidente, que anunciou ter sido infectado pelo novo coronavírus, mantém uma postura negacionista.
A postura do presidente, para Miklos, não se trata de falta de capacidade técnica ou “inabilidade” de conduzir uma crise, mas sim de um projeto que visa ao favorecimento da exploração estrangeira no país.
“O plano é destruir a economia, sucatear a sociedade e deixar tudo isso em estado de ‘terra arrasada'. Destruir as bases sociais, morais e éticas para entregar isso para os grandes conglomerados estrangeiros entrarem aqui e usufruírem disso. Bolsonaro não é um vírus que entrou na máquina, ele foi injetado propositalmente", analisou.
Para o historiador, Bolsonaro pratica a chamada “necropolítica", que consistiria em “deixar morrer” aquele que não é mais interessante (pretos, idosos e periféricos, por exemplo) para a sociedade, que gerariam um “gasto desnecessário” com programas sociais, entre outras medidas assistencialistas.
Até mesmo a postura de Bolsonaro ao anunciar que contraiu o vírus contribuiria para que a população se sinta segura a sair às ruas de forma pouco cautelosa. O presidente, eventualmente, defende a chamada “imunidade de rebanho", ideia que não seria inatingível no contexto da pandemia do novo coronavírus.
Ao comunicar que está com a Covid-19, o presidente disse que jovens não deveriam se preocupar caso contraíssem o novo coronavírus e afirmou estar tomando remédios que, segundo ele o ajudam, mas que não possuem eficácia cientificamente comprovada.
"[O discurso de Bolsonaro] só reforça a ideia de que homem que é homem não pega doença, não sente dor. Reforça o estigma de 'valentão’ e parte da população, de alguma forma, se sente encorajada a responder positivamente a esse tipo de fala", avalia.
Yahoo Notícias

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