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» » » Endometriose pode gerar infertilidade se não tratada de forma adequada

A endometriose afeta seis milhões de brasileiras segundo dados do Ministério da Saúde (MS). Caracterizada principalmente por fortes dores, a doença pode causar infertilidade se não tratada da forma correta. O Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar (HMJMA), da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), do Governo do Estado, realiza atendimento especializado para tratar o problema. “Temos um serviço muito organizado, multidisciplinar e ágil”, afirma o ginecologista obstetra Lucas Nogueira, que integra equipe de especialistas da unidade.
Lucas explica que a endometriose trata-se da existência do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, fora da cavidade uterina, ou seja, em áreas como trompas, intestino, ovários e bexiga. O tecido acompanha o ciclo hormonal/menstrual da mulher e, mesmo estando fora da cavidade uterina, gera sangramento, que causa inflamação e dor. “As dores podem ser fortes e ocasionar prejuízos à paciente, tanto do ponto de vista social quanto emocional, além de outras complicações”, explica.
Além das cólicas durante o ciclo menstrual, a mulher pode sofrer com dores ao urinar, defecar e até durante a relação sexual. “Tudo que aumenta a inflamação é prejudicial, como o estresse”, disse Lucas. O médico ressalta que o tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, a depender das condições do problema em cada paciente, e sempre visa a preservar a qualidade de vida e a fertilidade das pacientes que, em sua maioria, são jovens.
No tratamento clínico, podem ser indicados analgésicos, anticoncepcionais e diu de hormônio. Caso a mulher não obtenha uma resposta aceitável ou já apresente nodulações nas áreas afetadas pela endometriose, é precioso considerar a cirurgia como uma alternativa. “O procedimento retira as lesões. É uma cirurgia mais conservadora, porque a paciente ainda é jovem e ainda quer gerar filhos, e por isso também é muito mais trabalhosa. Uma operação delicada, que tem riscos, mexemos em órgãos essenciais. Mas que devolve a qualidade de vida da paciente”, destacou.

Infertilidade

Alguns casos, no entanto, são mais graves e têm a infertilidade como consequência. Foi o que aconteceu com a operadora de caixa Suzana Magalhães de Mesquita, atualmente com 32 anos. Ao realizar uma consulta com sua médica ginecologista para conversar sobre a possibilidade de ter um filho, Suzana descobriu a doença já em estágio avançado.
“Eu fiz o exame chamado mapeamento e viram que a endometriose já estava muito profunda, já causando hidronefrose [obstrução do tubo que liga o rim à bexiga], sendo necessário operar o mais rápido possível”, disse Suzana, que reside em Sobral, município a 240 km de Fortaleza. A paciente logo foi encaminhada para o Martiniano de Alencar e deu início ao tratamento. “Em um mês eu estava sendo operada, foram 10 horas e meia de cirurgia. Perdi útero, ovário, trompa, pedaço do intestino grosso e pedaço do delgado, parte da bexiga e tiraram focos de endometriose nos rins”, contou.
O caso de Suzana era considerado de maior gravidade e o sonho de ter um filho precisou ser freado. “É impossível não ficar abalada. Mas o importante é estarmos vivos, não sabemos o que Deus tem preparado para gente, eu só dou graças por ter corrido tudo bem. Minha recuperação foi rápida e fui muito bem assistida no hospital, muito bem acompanhada. Sou muito grata”, ressaltou. Suzana faz acompanhamento semestral no HMJMA.
O ambulatório de endometriose do HMJMA funciona as quintas-feiras. As consultas são agendadas via Central de regulação do Estado. O hospital de média complexidade realiza diversos tratamentos para endometriose, como clínico, implantação de diu e cirurgia. A unidade também auxilia as mulheres com apoio psicológico e especialistas para acompanhamento das pacientes.
Fonte: Diana Vasconcelos - Ascom HMJMA - Texto e Foto

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